Sobre viverbiodanza

Psicóloga graduada pela Universidade Vale do Rio Verde - UNINCOR. Formanda em Biodanza pela Escola de Biodanza Rio Barra - Rio de Janeiro, associada à IBF - International Biocentric Fundation. Facilitadora de Círculos de Mulheres. Terapeuta floral - florais de Saint Germain. Master-Reiki. Psicoterapeuta Prânica - Mestre Choa Kok Sui.

CURSO DE APROFUNDAMENTO “O PROCESSO DE BIODANZA E AS NEUROCIENCIAS” DITADO PELA PROFESSORA ANNALISA RISOLI

Destinado a Professores de Biodanza e alunos de escolas em fase final de formação.

LOCAL: Casa de Recanto São José
Rua Julio de Castilho, 561, Bairro Marajó, Belo Horizonte – Brasil

Observações importantes:
A parte teórica será seguida da vivencia correspondente.
Haverá tradução para o português e espanhol.
Trazer um pen-drive para receber o material
Seria conveniente que os participantes que virão de outras cidades chegassem na 5ª feira, 09 de agosto pela tarde.
Como é de conhecimento, as novas descobertas na área de neurociências permitiram ampliar a leitura de comportamento humano com novos pontos de vista, em particular está crescendo o interesse sobre as emoções, e suas implicações com a memória, a aprendizagem e os sentimentos. Mediante a importância do tema, cerca de três anos antes de seu falecimento o Professor Rolando Toro incluiu o módulo de Neurociências no Programa Único de Formação de Biodanza.
A Doutora e Professora Didata de Biodanza Annalisa Risoli junto com a orientação e supervisão do Professor Rolando Toro estruturou o Curso de Aprofundamento “O Processo de Biodanza e as Neurociências”, com o objetivo de explicar, a través dos novos descobrimentos das neurociências, os processos fundamentais ativados pela Biodanza e oferecer aos Professores os conhecimentos necessários para poder seguir a evolução desta área científica. Ademais fornecer aos professores didatas as informações necessárias para ditar o módulo de Neurociências do Programa Único de Formação em Biodanza nas escolas de formação.
Este curso já foi oferecido em Europa em varias oportunidades, atualizando e preparando os professores de Biodanza nesta área, portanto algumas escolas de Biodanza em Europa já incorporaram o módulo de Neurociências em suas novas turmas.

PROGRAMA
1° Módulo – 10, 11, 12 agosto 2012
Início: Sexta-feira 10 de agosto às 09:00 AM
Término: Domingo 11 de agosto às 18:00 horas
• Aprofundamento de Neurofisiologia
• A consciência, as emoções e os sentimentos
• A memória e a aprendizagem
• O processo de Biodanza e as Neurociências

2° Módulo – 1, 2, 3 fevereiro 2013
• A fisiologia dos “neurônios espelhos”
• Os neurônios espelhos e as emoções
• A aprendizagem e os “neurônios espelhos”
• O processo de Biodanza e os “neurônios espelhos”
• O movimento
• A música
• As transformações
• Síntese final

• VALORES E FORMAS DE PAGAMENTO para os participantes que chegarão na 5ª feira, 09 de agosto a partir das 16:00 horas (curso mais hospedagem e alimentação completa).
Modalidade
Valor
2 Parcelas Até 30 de Julho R$ 430,00
Dia do curso R$ 430,00
Pagamento no dia do curso
10 de agosto R$ 880,00
• VALORES E FORMAS DE PAGAMENTO para os participantes que chegarão na 6ª feira, 10 de agosto às 09:00 horas (curso mais hospedagem e alimentação completa).
Modalidade
Valor
2 Parcelas Até 30 de Julho R$ 410,00
Dia do curso R$ 410,00

Pagamento no dia do curso
10 de agosto R$ 840,00
• VALORES E FORMAS DE PAGAMENTO para os participantes que não hospedarão na casa de Recanto São José (curso mais três almoço e seis mini lanches).
Modalidade
Valor
2 Parcelas Até 30 de Julho R$ 365,00
Dia do curso R$ 365,00

Pagamento no dia do curso
10 e agosto R$ 750,00

• Dados para depósito: Caixa Econômica Federa
Agencia: 0620
Operação: 013
Conta Número: 48642-9
Nome: Claudete Sant’ Anna

• VALOR PARA OS ESTRANGEIROS (curso mais hospedagem e alimentação completa a partir de 5ª feira às 16:00 horas):
US $ 450 (quatrocentos e cinquenta dólares).
Obs: Devido à dificuldade de enviar dinheiro do estrangeiro para o Brasil, recomendamos que os estrangeiros efetuem o pagamento no momento de sua chegada ao curso.

INSCRICÕES:
Claudete Sant’ Anna – csbiodanza@gmail.com
Celular: ++55-31-9973.1083

LINHAS DE VIVÊNCIA – Por Sanclair Lemos (Facilitador / Didata de Biodanza)

RESUMO
O presente artigo nos mostra como a Biodanza é um caminho vivencial para o desenvolvimento humano. Desde que o ser humano nasce tem todo o potencial genético único qual sua expressão diferenciada se permitida através do desenvolvimento das linhas de vivência.

A linha de vitalidade relacionada com o ímpeto vital, que têm como base o instinto de sobrevivência. E permite nos colocarmos no mundo como seres humanos responsáveis por nosso momento e por nossas ações.
A linha da sexualidade se reflete na capacidade de sentir desejo e expressar o prazer através dos sentidos, a sensualidade e erotismo que envolvem a chave do contato e a carícia.
Na linha de criatividade surge a nossa capacidade inata de exploração de procurarmos estar no movimento de vida criando-nos a nós mesmos, auto-poyeses.
Na linha da afetividade é a força ou energia que nos conecta e vincula com todos os seres humanos. A emoção básica dessa rede de vínculos é o autor.
A linha da transcendência que é capacidade sentir-se parte de um todo maior, uma unidade psicossomática que tem a capacidade de incluir em si unidades maiores e dentro dessa diversidade, permanecem como uma unidade.
Outro ponto são os ecofatores – estímulos externos que podem induzir ou inibir e desorganizam a expressão do potencial. Estas linhas de vivência se movimentam em uma pulsão polarizada de expansão e recolhimento que o ser se expresse. A expressão e integração das linhas, no movimento integrado de expansão e recolhimento, permitem ter acesso ao êxtase, a vivência de sentir a vida por inteiro desdobrando-se no inefável eterno momento presente.

PALAVRAS-CHAVE
Linhas de vivência; vitalidade, se-xualidade, criatividade, afetividade e transcendência; ecofatores, pulsação da identidade êxtases de vida.

PALAVRAS INICIAIS
Somos os herdeiros da história evolutiva da humanidade e do desenvolvimento da nossa espécie (desenvolvimentos físico, motor, psicológico e social) além dos padrões filogenéticos de comportamento. No ato da fecundação recebemos, como um presente, todo o potencial de desenvolvimento da humanidade. Como uma dádiva, surgimos na existência a partir mesmo de todo o potencial e todas as conquistas da humanidade.

Esse potencial, impresso em nossas células, em nossos genes, começa a se expressar na realidade (vivida) a partir do nascimento (e talvez antes). Cada um traz em si uma nuance, uma combinação única e particular desse potencial humano, cada ser humano é expressão diferenciada e única dessa totalidade a qual podemos chamar de potencial humano ou humanidade.

Essa humanidade se expressa então, na realidade particular de cada um através do que R. Toro chamou de linhas de vivência.

A primeira linha de vivência é a VITALIDADE e está relacionada com o ímpeto vital; desenvolve-se a partir da organização biológica e do instinto de sobrevivência. O desenvolvimento dessa linha de vivência relaciona-se diretamente com as primeiras experiências da criança no que diz respeito à sua expressão através das experiências de movimento. O movimento é a expressão básica da vida e surge inicialmente em função da necessidade de sobrevivência do organismo, brota do instinto de sobrevivência, que leva o organismo a mover-se no sentido de permanecer vivo. A criança, se deixada à vontade em um ambiente nutritivo e estimulante, buscará a satisfação e a expressão de si mesma através do movimento.

A Vitalidade relaciona-se à alimentação e ao desenvolvimento da seletividade alimentar. Os organismos saudáveis alimentam-se daquilo que nutre e cura, alimentos ricos em sabor e nutrição, e ingerem a quantidade necessária e suficiente de alimentos saudáveis e nutritivos.

Quando integrado a partir do movimento vital e da alimentação, organismo pouco ou nada necessitará tomar de remédios. A alimentação adequada e a alternância entre trabalho e repouso são as expressões básicas de vitalidade do organismo humano, ou seja, da pessoa. Com a vitalidade equilibrada, o ser humano como quando tem fome, bebe (água) quando tem sede, dorme quando tem sono e busca a satisfação dessas necessidades naturais de maneira instintiva, natural. A cultura, no entanto, promove regularmente alterações nesse movimento equilibrado. À criança, por exemplo, é ensinada que deve comer o que não gosta, em horas determinadas e não quando sente fome. Aos poucos, ela já não sabe mais o que quer, vai perdendo a organização e a capacidade seletiva, sente dificuldade em realizar uma escolha ou em tomar uma decisão. Lembremo-nos que essa criança pode ser cada um e todos nós. Vitalidade é a capacidade de colocar-se no mundo como ser humano autônomo, responsável por seu movimento e por suas ações.

A segunda linha de vivência que se desenvolve do potencial humano é a SEXUALIDADE, que se refere à capacidade de sentir desejo, de expressar o prazer (dos sentidos), a sensualidade e o erotismo. Essa linha de vivência evolui a partir do contato e das carícias que a criança recebe desde o nascimento.

Estímulos prazerosos aos sentidos (sensuais) são também fatores significativos para o desenvolvimento da linha de vivência da sexualidade – comer uma fruta, tomar chuva, mergulhar nas águas do mar, andar descalço, rolar na terra, caminhar em meio a flores…

Essas sensações prazerosas, o contato corporal sensual com a mãe durante o ato de mamar ou durante o banho, permitem que a criança se perceba como um organismo inteiro, completo, capaz de experimentar sensações que significam a percepção de si e do mundo como fonte de prazer (e organização).

Muitas mães e pais sentem medo e desconforto frente à sensualidade e ao erotismo dos filhos. Afastando-se e negando e vivência prazerosa e sensual, esses pais e mães negam à criança o acesso (a vivência) à percepção e compreensão de si mesmo como um ser corpóreo, sensual, e erótico. A criança vai, então, descobrindo a sexualidade nas ruas de maneira inadequada, ou na escola de maneira mecânica e racional.

A carícia tem a capacidade de regular o sistema neurovegetativo e de organizar o funcionamento dos órgãos. A carícia e o afeto são reguladores do sistema vivente, seja na aprendizagem escolar ou do movimento, além de promoverem a integração das demais linhas de vivência.

A energia da vida se expressa também, nos diz Rolando Toro, como uma busca pelo novo, como CRIATIVIDADE, que é a linha de vivência que surge da capacidade inata de exploração que tem á criança. O ato de explorar está intimamente ligado ao ato de movimentar-se, mover-se na realidade vivida. A criatividade conecta-se assim, de maneira indissociável com a vitalidade.
Criatividade é o ato de criar a si próprio, enquanto ser que vive e existe no mundo, a cada momento mover-se no novo, modificando-se no fluxo do mundo que se modifica constantemente. Como um rio, o movimento da vida (cotidiana mesmo) renova-se eternamente. Nosso existir se dá nesse fluxo de transformação, de auto-criação e auto organização.

As formas que percebemos, inclusive a nossa própria forma corporal, não são estáticas, mas o estado atual de um fluxo de energia e movimento. Nós somos em expressão e movimento; a criatividade é, também, nossa natureza. Então, na medida em que nos identificamos com certa idéia, certa forma de ser, diminuímos a possibilidade de ser fluídos na renovada expressão daquilo que se é. A criatividade pode expressar-se de muitas maneiras – a poesia, o trabalho científico, a música, o canto, a dança…

É certo que nem todas as pessoas cantam, tocam um instrumento ou pintam. Estariam essas fadadas a não criatividade? A essência da criatividade é criar-se a si mesmo, auto-poyese de H. Maturana e F. Varela. A expressão desse “ser-criativo-por-natureza” vai depender, em larga escala, do meio e do ambiente em que cada um vive. Se o meio físico e o ambiente afetivo – emocional permitem, a criança poderá “aprender” a ser criativa através de estímulos para a exploração e para a expressão, seja pela voz, pela palavra, pelo desenho, pela escrita, por um instrumento musical, ou pelo próprio movimento corporal.

A criatividade se desenvolve, naquele que é capaz de sentir e expressar o que sente, pois no ato de expressar-se a pessoa se modifica modificando e criando.
O instinto de exploração – de busca de novos estímulos, novas sensações e vivências – nos leva a sentir e, de alguma maneira possível, expressar a maravilha que sentimos frente ao universo. Se somos capazes de sentir-expressar (sentir evoca movimento, que já é em si, expressão) de maneira presente, já estamos nos modificando, nos movendo e criando com o mundo.

O potencial pleno da vida, inscrito no potencial genético do ser humano, se expressa também como AFETIVIDADE que é a força ou energia que nos conecta e vincula com todos os seres. A essa emoção de conexão e vinculação com os outros membros da espécie ou com a totalidade da vida chamamos amor. O amor nasce em situações de harmonia, segurança, confiança e respeito. Considerar o outro como um ser íntegro, respeitá-lo pelo que é mesmo em sua singularidade e em sua diferença. É verdade que conviver com alguma diferença é difícil, o desconforto com a singularidade do outro revela nossa limitação e nosso preconceito. Aprendemos que o “diferente” significa “errado” e conseqüentemente “mau”. Do “mau” nos defendemos, pois a diferença que não compreendemos nos causa medo. Para mantermos nossa “segurança” agredimos, então, a fonte do desconforto, o diferente, aquele que nos revela nossa limitação e a quem tememos, simplesmente por não ser como nós próprios (em aparência, idéias, maneiras, raça, etc).

Se não somos capazes de conviver, ou nos vincular em meio às diferenças, então não somos capazes de amar. O amor pelo que é igual a nós próprios é o amor por nós próprios. O amor como sentimento indiferenciado de vinculação fortalece nossa própria singularidade de seres diferenciados e únicos dentro da unidade do todo e do semelhante.

Aqueles que trabalham com crianças devem se atentar para o fato de que o fundamental para a criação de uma relação pedagógica, uma verdadeira relação de ensino-aprendizagem, é o amor. O afeto, a relação afetiva (respeito e contato) é a aprendizagem a todos os envolvidos na relação. Quem sabe, a única maneira de se ensinar algo (para crianças ou adultos) seja estabelecer uma relação de segurança, de confiança e de amizade com o aluno em um ambiente estimulante, lúdico e criativo.

A partir da sensação básica de confiança, pode se desenvolver a amizade e o afeto verdadeiro, mediador das relações de ensino e aprendizagem a que chamamos relação pedagógica. Surge aí também, dessa sensação básica de segurança (afetiva) e confiança, várias sensações e emoções relacionadas à percepção do outro como um ser pleno, e à nutrição e estímulo desse outro. A essas sensações damos o nome de amor – a possibilidade de conexão nutritiva entre indivíduos. Mas além de existir entre indivíduos da mesma espécie, o amor é a força que vincula todos os “portadores de vida”. Todos os seres vivos merecem a mesma consideração, respeito e amor. Pode parecer difícil considerar os seres vivos sem a lente deformante da ideologia ou da hierarquia, mas como nos ensina Rolando Toro: “e necessário uma cons – consciência ampla e amorosa para perceber que somos primos das rãs”. H. Maturana – neurofisiólogo – estudioso da estrutura e funcionamento dos organismos vivos, diz que a consciência de uma ameba é da mesma qualidade da consciência de um homem. Obviamente, se expressa a partir da estrutura e da organização de uma ameba. Sua proposta é: a vida se expressa e percebe a realidade em que vive e existe, de acordo com a estrutura e organização dos organismos que expressam essa vida. São várias as maneiras de perceber e expressar a vida – a ameba, o gato, o cavalo, a árvore, o homem.

Os organismos são diferentes em estrutura e organização, mas essencialmente a vida que os anima é uma só.

Finalmente, Rolando Toro propõe que do potencial humano que brota do organismo biológico surge a capacidade de sentir TRANSCENDÊNCIA, que é a capacidade de sentir-se parte de um todo maior, parte de unidades que se expandem e se organizam em sistemas cada vez mais amplos. Sentir-se como uma unidade indivisível, não uma mente que anima o corpo, mas uma unidade psicossomática que tem a capacidade de incluir em si unidades maiores e, dentro dessa diversidade, permanecer como uma unidade.

“Desiderata” é um poema encontrado em uma antiga catedral em Baltimore – USA. Um de seus versos diz que somos “filhos das estrelas e temos o direito de estar aqui”. Sabemos que os átomos que formam as estrelas, as galáxias ou as folhas das relvas são os mesmos átomos que compõem o nosso organismo. Quando o organismo se decompõe ou se transforma, esses mesmos átomos irão se reorganizar de outra maneira e assim pela eternidade verdadeiramente somos filhos da terra, filhos do universo, filhos das estrelas.

Essa é a vivência de transcendência. É necessário ampliar a percepção, a compreensão das coisas e nossa penetração vivencial para percebemos que a vida é mais ampla, complexa e maravilhosa do que estarmos acostumados e talvez preparados para perceber e sentir.

CONVERSA SILENCIOSA – por Helio Arakaki

Quando eu tinha os meus cinco anos de idade, sofri um acidente. Numa peraltice junto com meus primos, fui atropelado. Tive uma fratura na perna que me deixou quase dois meses de gesso.

Naqueles dias, lembro-me que ficava lendo revistas em quadrinhos, sentado numa poltrona, enquanto minha mãe trabalhava.

A rotina era quebrada quando recebia a visita de amigos de meus pais. Como era costume japonês, eles levavam balas, biscoitos e até dinheiro. Guardava-os todos numa latinha de Toddy. E eu pedia para comprarem as revistas, os gibis.

Um dia, uma vizinha, ao me visitar, me presenteou com um pequeno quadro negro. Daquele dia em diante passei a desenhar. Era capaz de passar o dia todo em silêncio, criando personagens e desenhando estórias em quadrinho.

Talvez este período tenha determinado uma característica minha que, de certa forma, me trouxe uma certa dificuldade, pois tornei-me uma pessoa retraída, tímida. Ao invés de fazer muitos amigos, tive um convívio restrito de pessoas. E assim, aprendi a conviver mais ainda com o silêncio.

Ao longo dos anos, no exercício do ensino do Karate e da Biodanza, fui ampliando a minha capacidade de expressão e também os meus relacionamentos. Mas ainda hoje adoro ficar em silêncio.

E foi através do Karate que aprendi a conviver melhor com o silêncio. Tive um Mestre, Sr Juichi Sagara, uma pessoa refinada, educada a moda dos nobres japoneses. Sua característica era de ser uma pessoa silenciosa. Quando vinha à minha cidade, saíamos de carro, e ficávamos naturalmente em silêncio. Falava-se o necessário, não mais que o necessário. Com ele aprendi que estar com uma pessoa, necessariamente, não há de se ter a necessidade de ficar o tempo todo conversando.

O silêncio é mais revelador que as palavras, ele nos vincula profundamente, tal qual dois amantes que, silenciosamente, olhando um nos olhos do outro, ou de uma mãe que embala em seu colo o bebê que a olha, se compreendem e se fundem.

Através do silêncio é que realmente compreendemos o outro e nos harmonizamos. Principalmente, diante dos conflitos. É a tal historia: se um não quer, o outro não briga.

Infelizmente, o silêncio do outro que nos acompanha é interpretado como distanciamento, indiferença. O que não é verdade.

Deveríamos aprender a valorizar o silêncio, pois assim, quando o assunto se esgotasse, não passaríamos momentos de ansiedade, desejosos de nos despedir das pessoas que encontramos.

Compreenderíamos que não é por causa da distância e da falta de comunicação que uma amizade deixou de existir. Que os amigos não deixariam de ser amigos por causa do silêncio.

Conversar e silenciar, silenciar e conversar, deveria ser algo aceito como natural nos encontros. Pois aí ficaríamos mais tempo, de verdade, na presença das pessoas.

AULA EXPERIMENTAL DE BIODANZA – A DANÇA DA VIDA

TEMA: “SINTO, LOGO EXISTO”

Data/Hor: 24 de Maio de 2012 – Das 19h as 21h
Local: Espaço Bem Viver -Rua Acre,233 – Bairro João Pinheiro – Poços de Caldas / MG
Contatos: (35)3712-8112 / 9198-3855
Investimento: 1 Kg de alimento

VAGAS LIMITADAS
GARANTA A SUA E VENHA SENTIR A PULSAÇÃO DA VIDA DENTRO DE VOCÊ.

              Com a prática da Biodanza, transformamos progressivamente nossas sombras em Luz.

Curso de Aprofundamento “O Processo de Biodanza e as Neurociências”

Como é de conhecimento, as novas descobertas na área de neurociências permitiram ampliar a leitura de comportamento humano com novos pontos de vista, em particular está crescendo o interesse sobre as emoções, e suas implicações com a memória, a aprendizagem e os sentimentos. Mediante a importância do tema, cerca de três anos antes de seu falecimento o Professor Rolando Toro incluiu o módulo de Neurociências no Programa Único de Formação de Biodanza.

A Doutora e Professora Didata de Biodanza Annalisa Risoli junto com a orientação e supervisão do Professor Rolando Toro estruturou o Curso de Aprofundamento “O Processo de Biodanza e as Neurociências”, com o objetivo de explicar, através dos novos descobrimentos das neurociências, os processos fundamentais ativados pela Biodanza e oferecer aos Professores os conhecimentos necessários para poder seguir a evolução desta área científica. Ademais fornecer aos professores didatas as informações necessárias para ditar o módulo de Neurociências do Programa Único de Formação em Biodanza nas escolas de formação.

Este curso já foi oferecido em Europa em varias oportunidades, atualizando e preparando os professores de Biodanza nesta área, portanto algumas escolas de Biodanza na Europa já incorporaram o módulo de Neurociências em suas novas turmas.

Temas a desenvolver durante os dois módulos do curso:

– O cérebro e as emoções

– Os neurônios espelhos e o movimento

– A memória e a mudança

Conforme explicado anteriormente este curso se realiza em dois módulos:

1° Módulo 10,11 e 12 de agosto 2012

2° Módulo 1, 2 e 3 de fevereiro 2013

Está destinado a Professores de Biodanza e alunos de escolas em fase final de formação.

Haverá tradução para o português e espanhol.

DITADO PELA PROFESSORA ANNALISA RISOLI

1° Módulo 10,11 e 12 de agosto 2012

Início, 6ª feira 10 de agosto às 09:00 AM

Término, domingo 11 de agosto às 18:00 horas

Seria conveniente que os participantes que virão de outras cidades chegassem na 5ª feira, 09 de agosto pela tarde.

LOCAL: Casa de Recanto São José

Rua Julio de Castilho, 561, Bairro Marajó, Belo Horizonte – Brasil

VALORES E FORMAS DE PAGAMENTO para os participantes que chegarão na 5ª feira, 09 de agosto a partir das 16:00 horas (curso mais hospedagem e alimentação completa).

Modalidade

Valor

Parcela única

Até 30 de Maio R$ 780,00

3 Parcelas

30 Maio R$ 280,00

30 Junho R$ 280,00

30 Julho R$ 280,00

Pagamento no dia do curso

10 de agosto R$ 880,00

VALORES E FORMAS DE PAGAMENTO para os participantes que chegarão na 6ª feira, 10 de agosto às 09:00 horas (curso mais hospedagem e alimentação completa).

Modalidade

Valor

Parcela única

Até 30 de Maio R$ 740,00

3 Parcelas

30 Maio R$ 280,00

30 Junho R$ 260,00

30 Julho R$ 260,00

Pagamento no dia do curso

10 de agosto R$ 840,00

VALORES E FORMAS DE PAGAMENTO para os participantes que não hospedarão na casa de Recanto São José (curso mais três almoço e seis mini lanches).

Modalidade

Valor

Parcela única

Até 30 de Maio R$ 650,00

3 Parcelas

30 Maio R$ 250,00

30 Junho R$ 230,00

30 Julho R$ 230,00

Pagamento no dia do curso

10 de agosto R$ 750,00

Dados para depósito: Caixa Econômica Federal

Agencia: 0620

Operação: 013

Conta Número: 48642-9

Nome: Claudete Sant’ Anna

VALOR PARA OS ESTRANGEIROS (curso mais hospedagem e alimentação completa a partir de 5ª feira às 16:00 horas):

US $ 450 (quatrocentos e cinquenta dólares).

Devido à dificuldade de enviar dinheiro do estrangeiro para o Brasil, recomendamos que os estrangeiros efetuem o pagamento no momento de sua chegada ao curso.

INSCRICAO: Claudete Sant’ Anna – csbiodanza@gmail.com

Celular: ++55-31-9973.1083

AULA EXPERIMENTAL DE BIODANZA

Professora: Claudete Sant’Anna

4ª feira, 29 de fevereiro – 19:30 às 21:30 horas

Rua Guajajaras, 977 – Sala 1306 (Esquina com Curitiba) – Centro

Valor: R$ 30,00

Biodanza é um sistema para crescimento pessoal composta de exercícios e música, organizada segundo um Modelo Teórico. Seu objetivo é elevar a saúde, melhorar a comunicação afetiva e estimular a criatividade, não somente artística como também existencial.

Biodanza foi criado pelo Professor, Psicólogo e Antropólogo Rolando Toro Araneda. Trata-se não só de técnica, mas de uma nova visão do ser humano, que se baseia na consciência ética, no gosto de viver e no amor.

INFORMACOES E INSCRICOES:
Celular: 9973.1083 – Fixo: 3482.7922
csbiodanza@gmail.com

BIBLIOGRAFIA INDICADA

BIODANZA:

DALLA VECCHIA, Agostinho Mario. Aspectos da metodologia em Biodança. WWW.pensamentobiocentrico.com.br, Edição 1

TOTO, Rolando. Biodanza. São Paulo: Editora Olavobrás / EPB, 2002
GÓIS, Cezar Wagner de L. – “A Vivéncia – caminho à identidade” – Ceará – Viver 1995.
GÓIS. Cezar Wagner de L., Identidad y Vivencia- Barcelona/Porto Alegre, pre-edicion del autor, 1997
GÓIS. Cezar Wagner de L., Biodança: Identidade e Vivência. Edições Instituto Paulo Freire do Ceará: Fortaleza, 2002.
GÓIS. Cezar Wagner de L., Cadernos Rolando Toro: Caminhando pela biodança. n. 1 2004. 7-14.

BIODANZA: BASES PSICOLÓGICAS E BIOLÓGICAS

SPITZ, René A. O Priemiro ano de Vida. São Paulo: Martins Fontes, 1979.

CONTEXTO E TOTALIDADE:

BRANDÃO, D. M. S. & CREMA, R. (Org.). (1991) O novo Paradigma Holístico. Ciência, Filosofia, Arte e Mística. São Paulo: Summus.
CREMA, R. “Introduçãoà visão holística” – S. Paulo: Summers – 1988.
CAPRA. Fritjof, 0 Ponto de Mutação, São Paulo, Ed. Cultrix, 1982.
MORIN. CURANA. MOTA, Educar na Era Planetária: O pensamento complexo como método de aprendizagem pelo erro e incerteza humana. São Paulo: Cortez Editoras, 2003. Os desafios da Era Planetária. P. 61-96.

TEORIA DA COMPLEXIDADE E PENAMENTO BIOCENTRICO

DALLA VECCHIA, Agostinho Mario. WWW.pensamentobiocentrico.com.br, A complexidade e o conhecimento biocentrico Edição 8.
DALLA VECCHIA, Agostinho Mario. WWW.pensamentobiocentrico.com.br, Estruturas do conhecimento pedagógico biocentrico. Edição 9.
DALLA VECCHIA, Agostinho Mario. WWW.pensamentobiocentrico.com.br, Estruturas expressivas ou materiais do pensamento biocentrico. Edição 10.
DALLA VECCHIA, Agostinho Mario. WWW.pensamentobiocentrico.com.br, Significado do conhecimento pedagógico biocêntrico. Edição 11.
CAPRA, F. A teia viva: Uma nova compreensão dos sistemas vivos. São Paulo: Cultrix, 1997.
MORIN, E. (1985). 0 Problema Epistemológico da Complexidade. Lisboa: Publicação Europa-América.
MORIN, Edgar, Ciência com Consciência, Mem Martins, Portugal, Publicações Europa-América, LDA., 1994.
MORIN, Edgar. 0 método IV-As idéias: sua natureza, vida, habitat e organização. Portugal, Publicações Europa-América, s.d.
MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Lisboa, Instituto Piaget, s.d.
MORIN, Edgar et alii. NASCIMENTO, Flávia (Trad.) A re-ligação dos saberes: O desafio do século XXI. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. p. 489-569.
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LERBET,Georges. A Re-ligação dos saberes. 4. Transdisciplinaridade e educação. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. p. 528-539.
LE MOIGNE, Jean Louis. A religação dos saberes. 6. Complexidade e sistema. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. p. 540-547.
MESCHONNIC, Henri. A religação dos saberes. 5. Plano de urgência para o ensino da teoria da linguagem. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. p. 533-539.
ARDOINO, Jaques. A religação dos saberes. 7. A Complexidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. p. 548-558.
MORIN, Edgar et alii. NASCIMENTO, Flávia (Trad.) A re-ligação dos saberes: Odesafios da complexidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. p. 559-564.
MATURANA, Humberto e VARELA, Francisco. A árvore do conhecimento -As bases biológicas do entendimento humano. Campinas, Editorial PSY 11, 1995 (orig. esp. 1985).
MATURANA. Humberto e Varela. Francisco, A árvore do conhecimento. Campirui-SP. Psv, 1987.
GADOTTI, Moacir. Pedagogia da Terra. 3. ed. Petrópolis: Editora Fundação Petrópolis, 2000.
CAPRA, Fritjof. As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável. São Paulo: Cultrix, 2002
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à Educação do Futuro. São Paulo: Cortez Editoras, 2002.
MORIN, Edgar. A Cabeça Bem-Feita. Repensar a reforma – reformar o pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. JACOBINA, Eloá (trad.), 2000.

PRINCÍPIO BIOCÊNTRICO E TEORIA DA COMPLEXIDADE

CAVALCANTE, Ruth et alii, Percibir Y tejer la Vida. Educación Biocêntrica: Um movimiento de Educación dialógica. 3. ed. Fortaleza: CDH, 2004.
O PRINCÍPIO BIOCÊNTRICO. Curso de Formação Docente em Biodanza – Sistema Rolando Toro. Interational Biocentric Fundation.
MODELO TEÓRICO. EDUCAÇÃO BIOCÊNTRICA. Curso de Formação Docente em Biodanza – Sistema Rolando Toro. Interational Biocentric Fundation.
MURARO, Rose Marie. A mulher no terceiro milênio: uma história da mulher através dos tempos e suas perspectivas para o futuro. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1992.

FILOSOFIA BIOCÊNTRICA:

SIGNOR, Dorly. Filosofia e Biodança. Santa Maria: Editora Palotti, 2003.
Texto extraído de: CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 12ª ed. São Paulo, Ática, 2001.
SEVERINO, Antônio J. Filosofia. São Paulo, Cortez, 1992.
______.Filosofia da educação: construindo a cidadania. São Paulo, FTD, 1994.
DALLA VECCHIA, Agostinho Mario. Ética: afetividade e cuidado pela vida. Pelotas: Editora da Ufpel, 2000.
ZANOTELLI, Jandir. Ontologia do Diálogo. Pelotas: Educat, 1996.

SEXUALIDADE, GÊNERO E BIODANZA

SEXUALIDADE. Curso de Formação Docente em Biodanza – Sistema Rolando Toro. Interational Biocentric Fundation.
MURARO, ROSE MARY, Memórias de uma mulher impossível. Rio de Janeiro: Editora Rosa dos tempos. 2000.
MURARO, Rose Marie. A mulher no terceiro milênio: uma história da mulher através dos tempos e suas perspectivas para o futuro. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1992.

EDUCAÇÃO BIOCÊNTRICA

DALLA VECCHIA, Agostinho Mario.. http://www.pensamentobiocentrico.com.br, Afetividade: convergência entre educação biocêntrica e educação dialógica de Paulo Freire. Edição 2.
APOSTILA: EDUCAÇÃO BIOCÊNTRICA. Curso de Formação Docente em Biodanza – Sistema Rolando Toro. Interational Biocentric Fundation.
DALLA VECCHIA, Agostinho Mario. A Educação Integrada à Vida. Porto alegre: Evangraf, 2002.
CAVALCANTE, Ruth. Educação Biocêntrica: aprofundando e ensinando a pedagogia do encontro. Cadernos Rolando Toro: vivenciando a biodança n. 1 204 – p. 35-56.
CAVALCANTE, Ruth. Abraçando a educação biocêntrica. Porto Alegre: Cadernos de Biodança de Biodança, Escola Gaúcha de Biodança, V.3, n.5,p.19.1997.
CAVALCANTE, Ruth. Et alii, Um movimento de Construção Dialógica. Fortaleza: Edicções CDH, 2001.
FLORES, Feliciano. Por uma educação centrada na vida. Revista Pensamento Biocêntrico, p. 41-58 http://www.biodanza.com.br/revista
TORO, Rolando. Mensagem ao Congresso de Biodanza 1982 (coletânea). Rio de Janeiro.
CAVALCANTE, Ruth et alii, A Educação Biocêntrica: A pedagogia do Encontro. Educación Biocêntrica: Um movimiento de Educación dialógica. 3. ed. Fortaleza: CDH, 2004.
CAVALCANTE, Ruth et alii, Educação Biocêntrica e as palavras geradoras de vida. Educación Biocêntrica: Um movimiento de Educación dialógica. 3. ed. Fortaleza: CDH, 2004.
CAVALCANTE, Ruth et alii, Terapia, Biodanza e Educação Biocêntrica. Educación Biocêntrica: Um movimiento de Educación dialógica. 3. ed. Fortaleza: CDH, 2004.
GADOTTI, Moacir. Pedagogia da Terra. 3. ed. Petrópolis: Editora Fundação Petrópolis, 2000.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à Educação do Futuro. São Paulo: Cortez Editoras, 2002.
MORIN, Edgar. A Cabeça Bem-Feita. Repensar a reforma – reformar o pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. JACOBINA, Eloá (trad.), 2000.

EDUCAÇÃO E AFETIVIDADE

DALLA VECCHIA, Agostinho Mario. Educação e afetividade em Paulo Freire:
pedagogia da autonomia. http://www.pensamentobiocentrico.com.br, Edição 6
DALLA VECCHIA, Agostinho Mario. E Freire continua: ensinar é uma especificidade humana http://www.pensamentobiocentrico.com.br, Edição 6
DALLA VECCHIA, Agostinho Mario. Aspectos da metodologia em Biodança. http://www.pensamentobiocentrico.com.br, Edição 1
DALLA VECCHIA, Agostinho Mario. A afetividade e a estrutura teórica
unificada e sistêmica de Fritjof Capra. http://www.pensamentobiocentrico.com.br, Edição 4.
DALLA VECCHIA, Agostinho Mario. A Educação Integrada à Vida. Porto alegre: Evangraf, 2002.
DALLA VECCHIA, Agostinho Mario. AFETIVIDADE: Convergência entre Educação Biocêntrica e a Educação dialógica de Paulo Freire. Revista Pensamento Biocêntrico, páginas 11-34 http://www.biodanza.com.br/revista
APOSTILA AFETIVIDADE. Curso de Formação Docente em Biodanza – Sistema Rolando Toro. Interational Biocentric Fundation.
DALLA VECCHIA, Agostinho Mario. Ética: afetividade e cuidado pela vida. Pelotas: Editora da Ufpel, 2000.
BOFF, Leonardo. A águia e a galinha: uma metáfora da vida humana. 27 ed., Petrópolis: Vozes, 1998.
BOFF, Leonardo. Saber Cuidar: Ética do humano – compaixão da terra. Petrópolis: Vozes, 1999.
BOFF, Leonardo. Princípio de Compaixão e Cuidado. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 2001.

O que aprendi quando fiz Biodanza


Por Dr.Carlos Braghini Jr. (Médico, especialista em Quiropraxia)
http://www.ecologiacelular.com.br

Tive a honra e o privilégio de conhecer e conviver com o criador da Biodanza, Rolando Toro, que faleceu em 2009. Existem inúmeras estratégias terapêuticas existenciais e, das que tive a oportunidade de conhecer, a Biodanza é a mais completa.
O texto abaixo descreve minha experiência como participante de um grupo regular de Biodanza, além de informações descritas a mim pelo próprio Rolando Toro.
Desfrutem:
Na Biodanza você é convidado a participar, a cada semana, de sessões que gradualmente e com segurança permitirão que você viva experiências intensamente sentidas e induzidas pela música, pela dança e pelo encontro humano. A Biodanza chama-as de “vivências”. As vivências são percepções intensas de estar vivo, “aqui-e-agora” o que promove a integridade emotiva, o que nos faz nos sentirmos vivos.
As sessões de Biodanza, ou “Vivências”, são realizadas num espaço suficientemente grande para que possamos nos mover livremente. Cada sessão de Biodanza utiliza uma sequencia diferente escolhida pelo facilitador dentre uma seleção de centenas de danças ou exercícios. A sessão dura cerca de 90 minutos, e utiliza de 10 a 14 danças ou exercícios numa sequencia lógica e coerente. Cada dança ou exercício tem uma música especialmente selecionada, escolhida de uma biblioteca de milhares de músicas designadas pela International Biocentric Foundation (IBF), órgão que regula a prática da Biodanza em todo o mundo.
Estas músicas são tão variadas quanto as emoções humanas. Vão do clássico ao popular, numa viagem musical que pode arrebatar nossa alma ou nos fazer dançar como crianças. A escolha do facilitador será sempre no sentido de permitir uma integração entre sentimento e movimento, e isso sempre significa a deflagração de uma emoção.
O formato típico da Vivência é não verbal. Mas, antes de cada sessão, os participantes se reúnem num círculo onde compartilham pensamentos e sentimentos com o grupo. Novamente o facilitador tem importância fundamental conduzindo o grupo de modo que não se interprete o que é falado, havendo somente troca de experiências e sensações.
Cada sessão é cuidadosamente desenhada para respeitar a fisiologia humana:
1. Começa-se com um círculo de mãos dadas, de modo que cada participante se sinta ligado ao outro, aprofundando a conexão com o grupo;
2. A músicas rítmicas levam lentamente o participante à integração afetivo-motora;
3. Lentamente o participante é envolvido numa fase de introspecção, que muda sua consciência corporal e a percepção de seus sentimentos;
4. A dança aumenta a percepção da interconectividade da vida numa celebração naturalmente compartilhada com o grupo.
“Bio” significa “vida”, e junto com “danza” dá origem à metáfora: “Biodanza, a dança da vida”.
As Vivências oferecem uma porta através da qual penetramos no espaço puro de SER, onde o tempo cessa e experimentamos eternamente o aqui-e-agora. Com a Biodanza, você explora a vida com simplicidade autêntica, aumenta seus potenciais positivos e promove sua Saúde Emocional.
A Biodanza é uma abordagem que favorece o desenvolvimento pessoal através da conexão com a vida e da auto-satisfação, e encoraja você a expressar esse crescimento através da dança.
Baseada em estudos antropológicos de dança e rituais que celebram a vida, a Biodanza estimula o sentido de comunidade. Pela participação regular nas “vivências”, a Biodanza aumenta a alegria de viver e celebra a sacralidade de estar vivo, ampliando nossa consciência de solidariedade universal.
O BIODANZA É A POÉTICA DO ENCONTRO HUMANO
Origem
O antropólogo Rolando Toro é o criador do Sistema Biodanza. Em 1965, era o responsável pela cadeira de Artes Expressivas na Universidade do Chile, e ensinava no Centro para Estudos Médicos Antropológicos da Escola Médica na mesma Universidade. No Hospital Psiquiátrico de Santiago, ele começou investigando o efeito da música e da dança em pacientes psiquiátricos. O Centro era dirigido pelo Professor Francisco Hoffman e tinha a missão de avaliar diversas técnicas de psicoterapia para humanizar a medicina: Psicoterapia em linha com a abordagem centrada na pessoa de Carl Roger, arteterapia, psicodrama, Gestalt, musicoterapia, dentre outros. A abordagem de Toro incluía atividade física e o estímulo das emoções usando a dança e o encontro com outros seres humanos. Começou com danças lentas com olhos fechados para induzir harmonia e quietude. Mas sua observação revelou que estes exercícios tinham um efeito inesperado: alguns pacientes apresentavam delírios e alucinações, num estado de aprofundamento de sua desintegração interna. Mas ao invés de ver esse resultado negativamente, Toro ficou encantado com a forte mobilização do inconsciente induzida pelos exercícios. Nas sessões seguintes, ele introduziu danças com ritmos alegres, que estimulavam respostas motoras, e observou um aumento notável na capacidade de entrar em contato com a realidade. Os delírios e alucinações desapareceram. Estas experiências iniciais deram o primeiro passo na elaboração de um modelo teórico: Exercícios e músicas que induzem estados de recolhimento interno (regressão) e outros que fortalecem a identidade (experiência intensificada de si mesmo).
Segundo Rolando Toro, a consciência da identidade e a regressão eram complementares, como os extremos de uma ponte que exprime a totalidade da experiência humana. Durante o os estados regressivos o indivíduo tende a se dissolver na totalidade do universo e perder a percepção dos limites de seu corpo. Do outro lado do eixo da experiência, a consciência da sua identidade fortalece a noção de estar no centro do mundo.
Numa etapa posterior, Toro introduziu a carícia e a comunicação pelo contato entre os participantes e descobriu novos horizontes de possibilidades. Estava criada uma nova modalidade terapêutica que foi logo aprimorada com novas experiências com crianças, jovens, famílias e idosos. Em 1970 a Universidade Católica do Chile solicitou a Rolando Toro a criação da primeira classe de Biodanza, que naquela época ainda se chamava “Psicodança”. O primeiro Modelo Teórico foi desenvolvido e aperfeiçoado através dos anos, com a descrição e a mensuração dos efeitos neuropsicológicos dos exercícios em condições clínicas diferentes. A Biodanza cresceu e encontrou seu espaço fora dos hospitais e as pessoas saudáveis passaram a desfrutar dos benefícios de sua metodologia.
Rolando Toro comanda a Biodanza através da International Biocentric Foundation (IBF), sediada no Chile, que é a encarregada em guiar, coordenar, organizar e administrar a Biodanza no mundo inteiro. A IBF supervisiona a pesquisa e o desenvolvimento científico em várias áreas, assim como a coordenação de cursos, seminários e eventos internacionais.
A Biodanza desenvolveu-se sobre as últimas quatro décadas sob o comando de Rolando Toro Araneda, e hoje está estabelecida em todo o mundo como um sistema terapêutico baseado no movimento que promove a integração humana, o desenvolvimento de psíquico e espiritual, bem como a expansão da consciência.
COMO ATUA A BIODANZA?
De acordo com Rolando Toro, o potencial humano se expressa por cinco categorias principais, que ele chama de “Linhas de Vivência”:
Vitalidade
Criatividade
Afetividade
Sexualidade
Transcendência
Para Toro, apesar de termos essas cinco dimensões, elas não se desenvolvem harmoniosamente com todo seu potencial:
Podemos ter muita vitalidade, mas pouca criatividade.
Podemos ser peritos no que fazemos, mas nos sentirmos desconectados do Universo.
Podemos meditar com facilidade, mas termos dificuldade em expressar nosso amor por nosso parceiro ou por outro ser humano.
A proposta da Biodanza é estimular aquilo que nos falta na busca do reequilíbrio.
Vitalidade
A vitalidade relaciona-se àquilo que nos impulsiona para a vida, nossa própria energia vital. Está ligado ao movimento, mas ao mesmo tempo, define nossa capacidade de um equilíbrio saudável entre atividade e descanso. A palavra-chave é AUTO-REGULAÇÃO.
Criatividade
Resgata nossa capacidade de brincar e de se renovar a cada momento, deixando nosso instinto explorar novos comportamentos, quebrando velhos padrões e ousando experimentar o novo, renovando a vida.
Afetividade
É a capacidade se vincular, de demonstrar amor, cuidado, solidariedade, generosidade e fraternidade. A ternura, como uma expressão de nossa afetividade, representa o que está pulsando no coração de nossa identidade.
Sexualidade
Esta dimensão corresponde à esfera de nossa intimidade emotiva, a nossa capacidade de sentir prazer em nossos movimentos, com todos os nossos sentidos. Reflete nossa paixão pela vida e por tudo que nos proporciona prazer, como uma recompensa para nossa existência.
Transcedência
É nossa função humana mais sutil e está associada com todas as sensações internas de abundância, expansão e união espiritual com todos as formas de vida. Está ligada à capacidade de sentir-se parte da humanidade, da natureza e do Universo.
Estes cinco aspectos estão presentes em todos nós, mas são dependentes de um ambiente favorável e nutritivo para serem desenvolvidos e expressados em toda sua plenitude. A prática regular da Biodanza estimula as linhas pouco desenvolvidas enquanto consolida aquelas já estabelecidas.
A integração destas cinco dimensões ou “Linhas de Vivência” é a base da Biodanza.

MECANISMOS DE AÇÃO
A Biodanza é um sistema de integração humana e de renovação orgânica que favorece as funções orgânicas saudáveis e melhoram a qualidade do estilo de vida pela indução progressiva de emoções intensas (Vivências) induzidas pela música, dança e exercícios de comunicação de grupo. Estas danças e exercícios são organizados de acordo com o Modelo Teórico baseado em estudos biológicos e psicológicos do ser humano saudável. Estes estudos permitiram-nos evidenciar que certos exercícios unidos com emoções fortes têm efeitos específicos no organismo. Desta maneira exercícios que representam desafios têm efeito ergotrópico (simpático ou adrenérgico), com liberação de serotonina. Os exercícios que induzem regressão têm um efeito trofotrópico (parassimpático ou colinérgico) e liberação de endorfinas. Exercícios harmoniosos têm um efeito ansiolítico e tranquilizante (efeito Gaba). Exercícios eufóricos com temática sensual têm efeitos antidepressivos. Em resumo, uma sessão de Biodanza nos inunda com neurotransmissores que estão profundamente ligados aos nossos estados psíquicos.
A proposta da Biodanza não é apenas usar meios mecânicos para melhorar o funcionamento interno do organismo, mas devolver ao indivíduo sua total condição humana, isto é, fazê-lo sentir-se mais saudável e afetivamente expressar o que sente. As pessoas que fazem Biodanza possuem uma maior motivação para viver, reagindo positivamente aos percalços da vida cotidiana. São menos suscetíveis à depressão e ao sofrimento. Pelo processo progressivo da Biodanza aumenta a conexão do indivíduo consigo mesmo e com seu corpo, resgatando a intimidade, possibilitando a ressocialização com qualidade poética e promovendo uma nova visão sobre o encontro humano. A Biodanza estimula a mudança de estilo de vida, por mudar a percepção de que a vida pode ser mais sensível. Tudo isso ocorrendo num ambiente protegido, onde cada participante pode se ligar ao grupo como um centro de energia que cria oportunidades iguais de expressividade, num ambiente não competitivo. Para muitos, a Biodanza é uma redescoberta de vida e uma esperança para reabilitação humana no nível existencial.
E então, não deu vontade de experimentar?

NÃO TEM QUE ENCAIXAR, TEM QUE MUDAR – Por Helio Arakaki (facilitador de Biodanza)

Somos excepcionais em resolver problemas relacionados com disciplinas de conhecimento preciso como a matemática, física, história etc, devido a nossa formação cartesiana.

Por outro lado, apresentamos uma grande dificuldade em lidar com as questões que nos afetam emocionalmente.

A emoção é uma manifestação instintiva que ocorre diante de certas situações que estaremos expostos até o último de nossos dias. Geralmente, situações imprevisíveis e complicadas geram uma carga emocional muito intensa.

O poeta Fernando Pessoa escreveu que “navegar é preciso, viver não é preciso”. Uma descrição poética, mas real da vida onde mapas e bússolas não nos conferem precisão nenhuma. A vida por si só é desordenada.

Por trás dessa imprecisão e desordem, o caos atuando. Eu mesmo me vi no meio de uma situação caótica que me veio interromper uma linha continua de harmonia. No início, incrédulo e atemorizado, tentava manter-me lúcido. Um exercício exaustivo pela busca do controle das emoções.

Aparentemente a situação caminhava para um desfecho com graves conseqüências. Mas com o desdobrar dos dias, eis que, inesperadamente, uma sucessão de fatos e, principalmente, o encontro com pessoas, conduziram a situação a um desfecho feliz.

Devido a nossa formação cartesiana, pouca ou quase nenhuma habilidade emocional possuímos para lidar com a falta de ordem – o caos, propriamente dito – em nossa vida.

Caos significa desestruturação do que está estruturado para se criar uma nova estrutura.

Diante dessa percepção positiva do caos foi que, numa aula de Biodanza, uma aluna, que vivia um momento de indefinição, uma vez que recentemente havia pedido demissão de seu emprego, veio com a frase sensacional: “não tenho que encaixar nada, tenho é que me mudar”!

Com isso, ela quis dizer que mesmo sentindo que a sua vida estava desordenada, o certo seria não querer encaixar o que estava fora de ordem, e sim navegar no fluxo incerto da mudança.

O medo do incerto, de perder o controle, nos engessa de tristeza e apatia, sufocando a possibilidade de desfrutar a vida com prazer e alegria.

Por falar em prazer e alegria, lembrei-me de uma palestra do polêmico guru indiano Nithyananda, cujo tema era a ordem e o caos. Polêmicas a parte, achei interessante a sua linha de raciocínio.

Nithyananda, utilizando a dança para expressar a sua visão acerca do tema, dizia: “Por que as pessoas gostam de dançar? Porque elas não precisam estar em ordem…se estiver você dançando ordenadamente, você perde a alegria…por isso, se diz que a verdadeira dança é só uma expressão do seu ser e não uma forma de exercício…Se você quiser gostar de dançar terá que dançar sem ordem, terá que ser o caos!”

Para quem conhece a Biodanza, até parece que o guru bebeu da fonte da Biodanza!

A sabedoria japonesa diz que em épocas de calmarias, é prudente não esquecermos das tempestades. Um lembrete para que internalizemos o fato de que a nossa vida por si só já é um caos, que a única certeza que temos é do agora.

Portanto, é essencial após cada adversidade superada, fortalecer em nós a capacidade de, ao invés de sermos engolidos, deslizarmos pelas ondas indomáveis da incerteza sempre existentes no grande oceano das possibilidades que é a vida.

Sem as ondas, o oceano deixa de ser oceano.

Sem o inesperado e, de vez em quando, o caos, sucumbimos em meio a um deserto árido de monotonia e insatisfação.